Basta uma frase para os separar: o seguro de recheio da casa (assurance ménage) indemniza os seus próprios bens, a responsabilidade civil privada (RC privée) responde pelos danos que causa a outras pessoas. O resto decorre daí.
O mais simples é passar por situações concretas. O que se segue descreve a lógica das duas coberturas; o que o seu contrato cobre realmente depende das respetivas condições gerais.
Uma máquina de lavar que verte água
A água estraga o seu próprio parquet e atravessa o teto do vizinho de baixo. Duas coberturas diferentes entram em jogo para um único acontecimento: o seguro de recheio para as suas coisas, a responsabilidade civil para as do vizinho. É esta a situação que explica porque as duas são tantas vezes confundidas — surgem ao mesmo tempo.
Uma bicicleta furtada da cave
Mais ninguém fica lesado: o bem furtado é seu. Estamos, portanto, do lado do seguro de recheio. O furto consta frequentemente da base do contrato para a habitação, mas o tratamento das bicicletas e dos objetos de valor depende muitas vezes de uma extensão ou de um limite específico, o que se verifica na apólice e em mais lado nenhum.
Um parquet estragado numa casa arrendada
Não é um caso especial, é a regra aplicada tal como está: a habitação pertence ao senhorio, ou seja, a um terceiro. Um parquet riscado, uma porta arrombada ou uma bancada queimada são danos causados a outrem, mesmo estando em sua casa. A responsabilidade civil é a cobertura em causa, e é também por isso que muitos senhorios a exigem.
A quem pertence o bem danificado?
A pergunta não é «que seguro tenho?», mas «a quem pertence o bem danificado?». A resposta indica a cobertura, antes mesmo de abrir o contrato.
Muitos agregados familiares têm os dois, por vezes numa única apólice. O agrupamento é comercial e não jurídico: saber qual dos dois responde pelo quê evita participar um sinistro no sítio errado, ou julgar-se coberto pelo que não está.